domingo, 28 de agosto de 2011



Mais de trinta anos após a publicação das Memórias(1979), de Gregório Bezerra, o lendário ícone da resistência à ditadura militar é homenageado com o lançamento de sua autobiografia pela Boitempo Editorial, acrescida de fotografias e textos inéditos, e em um único volume. O livro conta com a contribuição decisiva de Jurandir Bezerra, filho de Gregório, que conservou a memória de seu pai; da historiadora Anita Prestes, filha de Olga Benário e Luiz Carlos Prestes, que assina a apresentação da nova edição; de Ferreira Gullar na quarta capa; e de Roberto Arrais no texto de orelha. Há também a inclusão de depoimentos de Oscar Niemeyer, Ziraldo, da adovogada Mércia Albuquerque e do governador de Pernambuco (e neto de Miguel Arrais) Eduardo Campos, entre muitos outros.

Em Memórias, o líder comunista repassa sua impressionante trajetória de vida e resgata um período rico da história política brasileira. O depoimento abrange o período entre seu nascimento (1900) até a libertação da prisão em troca do embaixador americano sequestrado, em 1969, e termina com sua chegada à União Soviética, onde permaneceria até a Anistia, em 1979. No exílio começou a escrever sua autobiografia.

Nascido em Panelas, no Agreste pernambucano, a 180 km de Recife, Gregório era filho de camponeses pobres, que perdeu ainda na infância, e com cinco anos de idade já trabalhava com a enxada na lavoura de cana-de-açúcar. Analfabeto até os 25 anos de idade e militante desde as primeiras movimentações de trabalhadores influenciados pela Revolução Russa de 1917, Bezerra teve papel de destaque em importantes momentos políticos da esquerda brasileira, e por conta disso totalizou 23 anos de cárcere em diversos presídios e épocas. Foi deputado federal (o mais votado em 1946) pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), ferrenho combatente do regime militar, e por essa razão protagonizou uma das cenas mais brutais da recém-instalada ditadura pós-golpe de 1964: capturado, foi arrastado por seus algozes pelas ruas do Recife, com as imagens tendo sido veiculadas pela TV no então Repórter Esso. A selvageria causou tamanha comoção que os registros da tortura jamais foram encontrados nos arquivos do exército.

Apesar da dura realidade, Gregório jamais cultivou o ódio ou o rancor. Era por todos considerado um homem doce, generoso. Não foi um homem de letras, mas um grande observador e um brilhante contador de histórias. Assim é que suas páginas são narradas, sem afetações ou hipocrisia, passando pelo interior da mata e do agreste nos tempos de estiagem e seca, pelo Recife, o exílio na União Soviética, a militância no PCB. Dizia ele: “Não luto contra pessoas, luto contra o sistema que explora e esmaga a maioria do povo”. Em 1983, o Brasil perdeu este que foi um de seus grandes defensores. Para sorte dos que estavam por vir, porém, ele deixou suas memórias recheadas de verdades e esperanças e que, acima de tudo, representam a história de muitos outros “Gregórios” que transformaram o seu destino na luta para transformar a realidade instituída.

Trechos do livro

“Foi o Natal mais farto e rico de alegria a que assisti durante os nove anos e dez meses de minha vida. Além disso, ganhei dois metros de algodãozinho para fazer duas camisas, porque só tinha uma e velha, que já estava virando farrapo. Aproveitei a cumplicidade de vovó e pedi-lhe que me fizesse uma camisa e uma calça, em vez de duas camisas. A velha topou as minhas antigas pretensões. Entretanto a costureira, que foi a minha tia Guilhermina, em vez de me fazer uma calça, fez uma ceroula grande, de amarrar acima do tornozelo. Deram-me para vestir. Achei bonita e até mais bonita do que uma calça, porque me fez lembrar do meu falecido avô, que, quando vivo, somente vestia ceroulas compridas amarradas no tornozelo. Calça só vestia quando ia à feira ou em visita aos domingos. Afinal, todos aprovaram a ceroula, menos minha irmã Isabel. Ganhei a “batalha” de anos atrás, quando pleiteei uma calça no sítio Goiabeira. Era feliz, agora, e me sentia homem. O Natal e Ano-Novo serviram para minhas exibições de ceroulas compridas e camisa fora da calça.”

“Voltei à rua, tentando ver se alguns operários haviam chegado. Não havia ninguém. Fiz um ligeiro comício para os pequenos grupos que se aglomeravam nas sacadas dos prédios vizinhos, concitando-os a pegar em armas, sob o comando do camarada Luiz Carlos Prestes. Fui aplaudido das varandas por alguns estudantes que ali moravam. Mas o apoio, infelizmente, não passou dos aplausos. Um oficial tentou prender-me, pedindo-me que, pelo amor de Deus, eu me rendesse. Ao chegar a dez metros de mim, apontei-lhe o fuzil e o fiz recuar. Vinha chegando um sargento radiotelegrafista que, de longe, perguntou-me o que havia. Respondi-lhe que, se quisesse lutar pela Aliança Nacional Libertadora, tinha um lugar a sua disposição; se não, caísse fora enquanto era tempo.”

Ficha técnica

Título: Memórias
Autor: Gregório Bezerra
Apresentação: Anita Prestes
Orelha: Roberto Arrais
Quarta capa: Ferreira Gullar
Páginas: 648
Preço: R$ 74,00
Editora: Boitempo

(*) Divulgação da Boitempo Editorial.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Exposição CCULT - Luiz Carlos Prestes

Exposição CCULT - Luiz Carlos Prestes




Exposição sobre Luiz Carlos Prestes no
Centro Cultural da Unisuam.
De 5 á 20 de abril das 10:00 ás 20:00.

Palestra de Anita Leocádia Prestes,
sobre o Cavaleiro da Esperança dia 12 de abril
ás 19:00 horas no Auditório Amarina Motta.

Esses eventos ocorrem no campus da Unisuam.
Av. Paris 72, Bonsucesso, Rj.

sábado, 12 de março de 2011

Derrubada de paredes na comunidade metrô - Rio

Por Rafael Nunes para o site do PSTU

Prefeitura do Rio, através da coerção e da violência, tenta remover comunidade carente no Rio
Rafael Nunes, do Rio de Janeiro
• Já algum tempo estamos acompanhando, com diversos movimentos sociais e entidades, como a CSP-Conlutas RJ, a Comunidade do Metrô, que se localiza na Radial Oeste, próximo ao Maracanã, estádio que vai ser palco da final da Copa do Mundo. Desde o começo do ano passado, esta comunidade com 4.500 pessoas vem sofrendo com ameaças sucessivas de remoção por parte da Prefeitura do Rio, com o apoio dos governos federal e estadual. Tudo para transformar aquele espaço em palco e circo para os jogos mundiais. Como ocorre em outras comunidades, a Prefeitura adotou uma postura intimidatória ao invés de dialogar com os moradores. Desde a primeira vez que as autoridades estiveram presentes na Comunidade do Metrô, sem nenhum mandado judicial ou respaldo jurídico, ameaçaram os moradores e tentam uma remoção a força. A única saída apontada pelas autoridades é uma mudança para Cosmos, um bairro localizado a 60 km daquela região e infestado por milicianos. Um ato inconstitucional. A maioria dos moradores, sabiamente, recusou a proposta e desde então eles começaram a se organizar e resistir. Várias lideranças surgiram. A associação de moradores se reconstruiu com as lutas e o projeto de remoção da Prefeitura foi sendo parcialmente derrotado. As propostas que foram sendo firmadas pelos moradores são a permanência na região e a reurbanização de toda aquela comunidade. Nenhuma mudança para locais distantes e em áreas de riscos.Infelizmente, não existe diálogo com os atuais governos quando se trata de defender os mais oprimidos dos grandes interesses corporativos. O secretário de Habitação, em outubro de 2010, criminaliza toda a comunidade ao afirmar que se tratava de uma invasão informal e que todos seriam removidos. Passaram-se cinco meses e com toda a selvageria da Prefeitura apenas 70 famílias foram removidas para Cosmos.
Muitos voltaram por conta das fortes taxas de cobrança que estão sendo obrigados a arcar. Os governos, entendendo o risco de serem derrotados pela organização popular, modificaram temporariamente o projeto de remoção forçada para Cosmos e partiram para dividir o movimento através de pequenas concessões e intimidações. A primeira foi conceder para 40 famílias sorteadas, em um universo de 670 famílias, o direito de morar nos conjuntos habitacionais da Mangueira, comunidade vizinha a do Metrô.Uma reivindicação dos movimentos sociais que a Prefeitura não atendeu por completo tentando dividir o movimento. Comemoramos as 40 moradias, mas exigimos a permanência de todas as 670 famílias naquela região. Sabemos que na Mangueira não há casas populares para todos e por conta disso exigimos também a construção de todas as casas necessárias com a participação dos moradores.Outra tática fascista da Prefeitura do Rio tem sido a coerção. No sábado, 12, e na segunda-feira, 14 de fevereiro, a Prefeitura começou a demolição de dezenas de casas na comunidade, dos moradores sorteados para as habitações populares na Mangueira. Mais uma vez sem nenhum documento de interdição ou autorização para aquela ação, começaram a quebrar paredes, tetos, janelas e portas de diversas casas comprometendo a segurança, a saúde e a habitação dos moradores que lá permanecem, já que as construções estão todas coladas. Um ato completamente selvagem e ilegal que coloca em risco a vida de famílias inteiras.Pessoas passavam no meio de escombros e pancadas de marretadas que colocam paredes inteiras abaixo. Estivemos presentes, na segunda-feira, com apoio jurídico da CSP-Conlutas e por algum tempo conseguimos paralisar as demolições. A polícia foi chamada e como força do estado, infelizmente, para garantir a continuidade da quebradeira. A subprefeitura apareceu para ameaçar os moradores, alguns passando mal, que reclamavam do barulho, da poeira e entulho que entravam nas casas.Intimidaram ainda os que protestavam conosco dizendo que se continuassem não teriam moradia em nenhum local. Sabemos que a Prefeitura corre contra o tempo para garantir aquele espaço, palco da final da Copa do Mundo, “limpo” de pobres e oprimidos.Esta semana será de mais uma rodada de negociação com a Prefeitura através da articulação da associação de moradores, CSP-Conlutas e do gabinete de alguns deputados. Exigimos que se pare com a quebradeira das casas enquanto não se resolver a questão de todos os moradores. Queremos ainda a permanência de todas as famílias carentes na região, uma reurbanização com a participação da associação de moradores e nenhuma cobrança de taxa.Fazemos ainda um chamado para todos os setores de esquerda a visitarem e apoiarem a luta da comunidade contra a barbárie. Infelizmente nenhum vereador ou deputado esteve presente apoiando a luta daquelas famílias. É visível a ilegalidade daquelas ações onde as famílias estão sendo coagidas a aceitar as condições da Prefeitura que violam o direito dos moradores de ficarem em suas casas e as leis orgânicas do município. É fundamental e necessária uma grande articulação de todos os lutadores para impedir os projetos de limpeza étnica que os governos fazem visando “embelezar” a cidade para os Jogos Mundiais.Nos vídeos e fotos, é possível ver a barbárie cometida pelas autoridades governamentais. As imagens são bastante fortes e mostram moradores desesperados e passando mal enquanto a polícia garante que a prefeitura derrube casas no meio das moradias ocupadas.

Extraído em:http://www.pstu.org.br/nacional_materia.asp?id=12385&ida=0


No sábado, dia 12 de fevereiro, a equipe de reportagem do A Nova Democracia esteve na favela do Metrô para registrar a denúncia de que o subprefeito da zona Norte do Rio de Janeiro, André Santos, estava na comunidade acompanhado da Polícia Militar, Guarda Municipal e de tratores da prefeitura, prontos para a derrubada de alguns barracos de moradores que foram sorteados com prédios nas proximidades da Mangueira. A ação foi feita contra a vontade da maioria da população da comunidade que não quer sair do local.
Como a resistência dos moradores foi forte e organizada, a prefeitura, que antes tentava amedrontar a população dizendo que todos iriam para Cosmos querendo ou não, agora se vê obrigada a sortear apartamentos para concretizar seus sinistros planos em nome da especulação imobiliária, pois a comunidade fica próxima ao Maracanã, estádio em que será realizado o jogo final da Copa do Mundo que acontecerá no Brasil. Por exigência da Fifa, existe o projeto de ser construído um estacionamento onde hoje é localizada a favela do Metrô. Seguem pendentes as situações dos que não conseguiram os apartamentos e dos comerciantes.
A reportagem de AND também registrou as pichações e “colaços” feitos pelos moradores com frases de ordem de incentivo à luta e de denúncia dos crimes cometidos pela prefeitura. As inscrições “Eduardo Paes inimigo do povo!”, “Os prédios da Mangueira não são esmolas! São conquistas da nossa luta!” e “Abaixo as remoções de Paes, Cabral e Lula!” estão pintadas nos muros da entrada da comunidade.



CeCAC convida:
Homenagem ao Dia Internacional da Mulher
Palestra e Debate:Leocádia Prestes - Mãe Coragem
com Anita Leocádia Prestes
17 de março – 5ª feira
18:30h
Local : CeCAC
Av. Treze de Maio, nº 13 - sala 1903 - Cinelândia - Rio de Janeiro/RJ


Leocádia Prestes – mãe coragem
Por Lygia Prestes

Leocádia Felizardo Prestes nasceu no dia 11 de maio de 1874, em Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul.
Seu pai, Joaquim José Felizardo, abastado comerciante, foi um homem culto, de ideias liberais, partidário da Abolição e da República. Sua mãe, Ermelinda Ferreira de Almeida, descendia da aristocracia portuguesa. Contudo, era pessoa de ideias abertas e partilhava plenamente os ideais de justiça social de seu marido.
Dotada de caráter enérgico e independente, Leocádia Prestes destacou-se, desde cedo, das jovens da sua classe social. Educada segundo os moldes tradicionais da época, falava vários idiomas, era exímia pianista, estudou pintura, canto, declamação. No entanto, tais predicados, que lhe permitiam brilhar nos salões, não lhe bastavam. Ela gostaria de desenvolver alguma atividade útil e, ainda adolescente, manifestou o desejo de ser professora pública, o que evidentemente não pôde ser concretizado devido aos preconceitos sociais. A política e os problemas sociais a interessavam muito, pelo que era leitora apaixonada dos jornais da Corte, fato inusitado entre as moças de seu tempo.
Em 1896, casou-se com o capitão Antônio Pereira Prestes, engenheiro militar, que havia sido aluno de Benjamim Constant, na Escola Militar da Praia Vermelha, e participara, ainda cadete, da proclamação da República, no Campo de Santana. Era um homem de vasta cultura, partidário do Positivismo, que era a corrente filosófica mais progressista no Brasil, no fim do século XIX.
O convívio com o marido muito contribuiu para que Leocádia Prestes ampliasse sua cultura geral e aprofundasse ainda mais o seu interesse pela política e pelas questões sociais. Anos mais tarde, ela contaria aos filhos a ansiedade com que ela e o marido viveram episódios como a Guerra de Canudos ou o célebre Caso Dreyfus, na França, que comoveu todos os setores progressistas, na passagem do século.
A morte prematura do marido deixou-a em situação muito precária. A exígua pensão não era suficiente para o sustento dos filhos. O caminho mais fácil teria sido arrimar-se a algum parente rico. Ela preferiu, porém, conservar a sua independência e partira para a luta.
Começou a dar aulas de idiomas e de música, trabalhou de modista, foi balconista e até costuras fez para o Arsenal de Marinha. Finalmente, em 1915, conseguiu ser nomeada professora da Escola Pública, como coadjuvante do ensino primário, cargo que exerceu até 1930. Trabalhava à noite, nos cursos noturnos destinados a comerciários, operários e domésticas.
Era um trabalho muito pesado, pois tais cursos funcionavam em escolas dos subúrbios do Rio, longe da condução, frequentemente no alto dos morros. Pela primeira vez em sua vida, ela pôde ter um maior contato com as camadas mais pobres da sociedade e isso aguçou ainda mais a sua revolta contra as injustiças sociais. Em pouco tempo, tornou-se muito estimada pelas alunas, pois era uma das poucas professoras, naquele tempo, que não admitiam discriminações, tratando da mesma forma a comerciária bem arrumada e a cozinheira de roupa surrada ou a operária de tamancos. Com sua atitude, ela procurava transmitir a seus alunos, além dos conhecimentos elementares, noções de justiça social, de igualdade e dignidade humana.
Aliás, ao educar os filhos, sua grande preocupação foi sempre a de incutir-lhes o amor ao trabalho e o sentimento do dever cívico. Procurou sempre mostrar-lhes os aspectos negativos da vida, ensinando-lhes a enfrentar com altivez a violência e as arbitrariedades dos poderosos e a jamais curvar-se ante as injustiças. Dotada de grande sensibilidade artística, procurou sempre transmitir aos filhos o seu amor à natureza e a sua admiração por tudo que é belo e elevado. Uma sonata de Beethoven ou um belo poema, um pôr do sol ou o desabrochar de uma flor, a emocionavam igualmente.
A árdua luta pela sobrevivência não fez diminuir seu interesse pelo que ocorria na sociedade e no mundo. Mesmo nos momentos mais difíceis, em sua casa podia faltar pão, mas nunca faltou pelo menos um jornal diário, para acompanhar os acontecimentos políticos, que discutia e comentava com os filhos. Assim, em 1910, empolgou-se com a Campanha Civilista de Rui Barbosa e fazia questão de comparecer aos comícios, levando consigo o filho mais velho, Luiz Carlos, que contava apenas doze anos de idade, para que ouvisse a pregação cívica do mestre baiano.
Por isso mesmo, em 1922, quando seu filho Luiz Carlos, já oficial do Exército, começa a participar da política, atuando na preparação (do primeiro Cinco de Julho), ela lhe deu todo o apoio, incentivando-o inclusive a continuar a luta, após a derrota do movimento.
Em 29 de outubro de 1924, ocorreu o levante de Santo Ângelo, liderado por Luiz Carlos Prestes, dando início à grande marcha através do Brasil que duraria até fevereiro de 1927. Foram anos muito duros para as famílias dos participantes da Coluna. As únicas notícias que recebiam eram as fornecidas pelo governo, sempre as piores possíveis: a Coluna teria sido dizimada, seus chefes exterminados... Mais de uma vez os jornais do Rio abriram manchetes escandalosas anunciando a morte de Prestes e de seus companheiros.
Leocádia Prestes, mesmo sabendo que a vida do filho corria permanente perigo, nunca perdeu a coragem e a confiança no filho. Jamais alguém a viu chorar. Para que não houvesse dúvidas sobre o seu apoio integral às ideias do filho, ela trazia sempre ao peito, bem visível, um grande medalhão com o retrato dele. Sua firmeza impressionava a todos que a conheciam. Em pouco tempo, sua casa tornou-se a Meca das famílias dos outros revolucionários, que a procuravam em busca de alento e consolo.
Com a suspensão da censura à imprensa, em 1927, os feitos heroicos da Coluna tornaram-se conhecidos do povo brasileiro, comovendo o país. Luiz Carlos Prestes passou a ser considerado herói nacional – o Cavaleiro da Esperança – e Leocádia Prestes era a Mãe de todos os brasileiros. Sua modesta casa de subúrbio fervilhava de amigos, admiradores e políticos de todos os matizes.
Em 1930, um grupo de políticos, encabeçado por Getúlio Vargas, aproveitando o prestígio de Luiz Carlos Prestes e do movimento Tenentista, organizou um golpe de Estado. Os tenentes, antigos participantes da Coluna, deixaram-se iludir e aderiram em massa ao Movimento de 30. Luiz Carlos Prestes, convidado, recusou-se a participar, por considerar que o Movimento não traria nenhum benefício ao povo brasileiro. Em maio de 1930, lançou um manifesto, denunciando o golpe que se preparava e pregando uma revolução verdadeiramente popular, agrária e anti-imperialista. O manifesto, qualificado de comunista, caiu no Brasil como uma bomba. Como num passe de mágica, todos os admiradores e políticos abandonaram a casa de Leocádia Prestes. Em público, viravam-lhe as costas. Ela reagia com altivez, reiterando a sua solidariedade ao filho querido.
Meses mais tarde, convencida de que o filho não poderia retornar ao Brasil tão cedo, ela, mais uma vez, demonstrou toda sua coragem: licenciou-se do emprego, liquidou a casa e, acompanhada das quatro filhas, partiu para a Argentina, para ficar ao lado do filho. Iniciava-se, então, um longo exílio do qual ela não retornaria à pátria.
Em Buenos Aires, onde se radicaram, a vida foi extremamente difícil. Com a crise dos anos 30, era impossível conseguir trabalho. Poucos dias após a chegada da família, Prestes foi preso, ameaçado pela polícia argentina, sendo obrigado a asilar-se em Montevidéu. Com isso, perdeu o emprego. Leocádia Prestes permaneceu em Buenos Aires, com as filhas, lutando como podiam para sobreviverem. Foi nesse período que elas e as filhas se aproximam do marxismo.
Em 1931, Luiz Carlos Prestes foi convidado pelo governo soviético para trabalhar como engenheiro no Primeiro Plano Quinquenal. Sua família, mais uma vez, não vacilou em acompanhá-lo, decidindo seguir com ele para a União Soviética. Às pessoas que se surpreenderiam com a sua decisão, Leocádia Prestes dizia: “se meu filho seguiu este caminho, este é o caminho certo”.
Contudo, seu primeiro contato com a sociedade socialista não foi fácil. Arrasada por duas guerras, a União Soviética atravessava enormes dificuldades. Faltava tudo. Para uma senhora de quase sessenta anos, de origem aristocrática e que havia passado toda a sua vida sob outro regime, a realidade soviética suscitava muitas dúvidas. Seu espírito de justiça, porém, ajudou-a a superar as incompreensões. Pouco a pouco, ela foi compreendendo a causa das dificuldades e a grandeza da luta e dos sacrifícios do povo soviético. O entusiasmo do povo a contagiava. Muito contribuiu também para a sua formação política o processo de Leipzig, em 1934, contra o revolucionário búlgaro George Dimitrov, cuja firmeza revolucionária perante o tribunal nazista a impressionou profundamente. Aos sessenta anos de idade, ela aderia, conscientemente, às ideias marxistas.
Em agosto de 1934, Luiz Carlos Prestes foi finalmente aceito no Partido Comunista, terminando assim sua longa e penosa trajetória do tenentismo ao marxismo. E, a 29 de dezembro do mesmo ano, partia para o Brasil, para a luta clandestina.
Iniciou-se, então, para Leocádia Prestes, um longo período de grande sofrimento. Se, por um lado, apoiava integralmente o caminho seguido pelo filho, por outro lado, só a ideia de perdê-lo a fazia sofrer intensamente. Ela não duvidava de que, se o filho fosse preso, seria morto. Contudo, procurava manter-se firme. Foi nessa época que, buscando uma forma de participar da luta, resolveu aprender datilografia a fim de ajudar na cópia e tradução de documentos.
Em 5 de março de 1936, Luiz Carlos Prestes foi preso no Rio de Janeiro, junto com sua companheira Olga Benário. Graças à coragem de Olga, que o protegeu com seu corpo, não conseguiram matá-lo no ato da prisão. Mas a sua vida corria perigo iminente. A qualquer momento, poderiam “suicidá-lo” na prisão, como era costume na época. Foi decidido, então, levantar uma campanha internacional em defesa da vida de Prestes e de todos os presos no Brasil. E Leocádia Prestes foi escolhida para encabeçar essa campanha.
Aquela foi a sua primeira missão política. Tarefa difícil para uma senhora de sessenta e dois anos que havia sido, até então, apenas mãe de família e, quando muito, professora de subúrbio. Contudo, ela não desanimou. Acompanhada de sua filha Lygia, partiu de Moscou, em fins de março de 1936, dando início à campanha.
Foram vários anos de árduo trabalho. Eram comícios, conferências de imprensa, visitas a jornais e sindicatos, a partidos políticos, parlamentos ou a chefes de governos. Viagens frequentes e demoradas. Era um trabalho extenuante para uma pessoa de sua idade.
Com sua filha, ela percorreu os principais países europeus, denunciando o terror desencadeado no Brasil, o perigo de morte para os presos políticos e pedindo solidariedade e apoio para a sua luta. Em pouco tempo, a campanha se estendeu aos outros continentes. Comitês de defesa de Prestes foram criados nos Estados Unidos, na América Latina, na Austrália e na Nova Zelândia. Do mundo inteiro, o governo brasileiro era bombardeado com milhares de cartas, telegramas de protesto, manifestos de toda a sorte, exigindo a libertação de Prestes e de seus companheiros ou, pelo menos, o respeito às suas vidas.
Em fins de 1936, com a extradição de Olga Benário para a Alemanha nazista, a campanha se duplica. Surge uma campanha paralela, destinada a salvar a vida de Olga e do bebê que estava para nascer. Leocádia Prestes e sua filha vão a Genebra pedir a ajuda da Sociedade das Nações e da Cruz Vermelha Internacional. Graças às gestões, foi possível receber, já em 1937, algumas notícias de Olga e de sua filhinha, Anita Leocádia, nascida em 27 de novembro de 1936.
Três vezes Leocádia Prestes foi com sua filha à Alemanha, enfrentar a Gestapo e exigir a libertação de Olga e da criança.
Delegações de vários países foram também a Berlim, com o mesmo objetivo. Malgrado todos os esforços, não foi possível salvar Olga. O mais que se obteve foi a libertação da pequena Anita Leocádia, em janeiro de 1938, e a vaga promessa da Gestapo de que Olga seria libertada um pouco mais adiante. Ao contrário disso, Olga foi enviada a um campo de concentração, em Ravensbrück, e assassinada em abril de 1942.
Ante a iminência da guerra, Leocádia Prestes vê-se forçada a deixar a Europa. Com a filha e a neta, parte para o México, cujo presidente, General Lázaro Cárdenas, concedera-lhes asilo. Foi um golpe muito duro, pois ela bem compreendia que a mudança para o México tornaria muito mais difícil qualquer ajuda à nora querida.
No México, a campanha prosseguiu, já então limitada às Américas, pois o resto do mundo estava convulsionado pela guerra. Com a guerra, Leocádia Prestes perde o contato com Olga e também com as outras filhas que haviam ficado em Moscou. Além da sorte do filho, na prisão, preocupa-a agora também a situação dos seus outros entes queridos, ameaçados pelas bombas nazistas. Contudo, a coragem e a fé na vitória final não a abandonaram jamais. Quando as hordas nazistas avançavam pela União Soviética, ela costumava dizer aos amigos assustados: “Vocês não conhecem aquele povo! Quem passou tantas privações e sofrimentos para construir o socialismo em seu país, não vai fraquejar agora. Eles são invencíveis!”
Leocádia Prestes não teve a alegria de assistir à vitória final dos povos sobre o nazismo nem a libertação dos presos políticos, no Brasil, em 1945. Após longa e penosa enfermidade, ela veio a falecer no México, no dia 14 de junho de 1943.
Sua morte comoveu o povo mexicano, que a admirava muito. Ao velório, no salão nobre do Sindicato dos Empregados em Hotéis, no centro da cidade do México, compareceram milhares de pessoas, inclusive numerosos estrangeiros, fugidos do nazismo e também asilados no México. Todos os ministros de Estado estiveram presentes, com seus auxiliares , a começar pelo general Cárdenas, na época Ministro da Defesa, no Governo de Ávila Camacho. O general Cárdenas tomou a iniciativa de dirigir-se pessoalmente a Getúlio Vargas, pedindo-lhe que permitisse a Prestes vir ao México despedir-se de sua mãe. Propunha enviar um avião militar mexicano para trazer o prisioneiro e oferecia-se, inclusive, como refém, como garantia de que Prestes voltaria à prisão. Getúlio sequer respondeu. Quatro dias e quatro noites o povo aguardou a resposta, em respeitosa vigília.
No dia 18 de junho de 1943, realizou-se o enterro, que se transformou em uma verdadeira manifestação popular. O cortejo atravessou toda a cidade a pé, até as colinas de Tacubaya, onde ficava o cemitério. O caixão, coberto pela bandeira brasileira, foi levado em ombros e cercado por uma guarda de honra que levava as bandeiras de todas as Nações Unidas que, naquele momento, travavam a luta contra o nazismo. À beira da sepultura, vários oradores se fizeram ouvir, inclusive representantes de outros países latino-americanos, como Cuba, Uruguai, Chile e, também, de países europeus, principalmente alemães e espanhóis. O grande poeta chileno Pablo Neruda leu o seu Poema Dura Elegia, escrito especialmente para aquele triste momento, no qual ele define a importância da vida de Leocádia Prestes com estas singelas palavras: “Señora, hiciste grande, más grande, a nuestra América...”.
Extraído de: PCB: 80 anos de luta. H. ROEDEL, AQUINO, F. VIEIRA, L. B. NAEGELI, L. MARTINS. Rio de Janeiro, Fundação Dinarco Reis, 2002.Leia também o poema de Pablo Neruda em homenagem a Leocádia Prestes

Dia Internacional da Mulher


Um puco tarde mas sempre atual...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

DIREITO PARA QUEM?: Abaixo-assinado contra a remoção da Favela do Metr...

DIREITO PARA QUEM?: Abaixo-assinado contra a remoção da Favela do Metr...: "Moradores da comunidade em assembléia Da Comissão de Comunicação da Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência: Como é de conhe..."

Resistência urbana



Semestre passado fiz uma apresentação para a faculdade no qual abordei o tema da favelização no Rio. Como já conhecia o drama da comunidade do Metrô Mangueira, decidi ampliar o tema explorando (infelizmente) a realidade desses cidadãos que estão prestes á perder seu local de moradia para o poder público.
Por este motivo meu interesse pelo que se passava na comunidade e os atos de resistência aumentaram. Mas pude observar que alguns já se entregaram e já tiveram suas casas derrubadas, enquantos outras ainda resistem quase que heroícamente ao caos urbano.
Pesquisando pela internet, fiquei mais tranquila ao saber que é a minoria que se entregou, aos bravos ainda resta resistir e lutar contra a remoção.
Acima segue o texto da internet retirado do site http://www.direitopraquem.blogspot.com/ que explica como eles ainda seguem lutando. Leiam e façam sua parte com relação ao abaixo-assinado.




domingo, 28 de novembro de 2010

A Experiência de Formação da Escola Nacional Florestan Fernandes



A AENFF-RJ convida para o debate:
A Experiência de Formação da Escola Nacional Florestan Fernandes

Anita Prestes (UFRJ)
Gaudêncio Frigotto (UERJ)

Dia 2 de dezembro - 18h30
Auditório 71 - UERJ
Rua São Francisco Xavier, n. 524 - Maracanã

sexta-feira, 22 de outubro de 2010



Palestra sobre a Coluna Prestes na UERJ
“COLUNA PRESTES: UMA EPOPEIA BRASILEIRA”
Palestra com a Professora Anita Leocadia Prestes
27 de outubro
19:30
RAV-94 Uerj



Serão concedidos certificados.

Fonte:http://prestesaressurgir.blogspot.com/2010/10/palestra-sobre-coluna-prestes-na-uerj.html

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Debate

Em 21 de setembro de 2010 a partir das 21 horas o Jornal BRASIL DE FATO estará promovendo um debate com os candidatos da esquerda que não são convidados para participação em debates da grande mídia.

Neste debate estarão presentes: Ivan Pinheiro, Zé Maria (PSTU) e Rui Pimenta (PCO).

O debate será transmitido em rede de Internet e para acessá-lo basta conectar-se com a página do BRASIL DE FATO: www.brasildefato.com.br

Para melhores detalhes acessem o link.

DEBATE DOS PRESIDENCIÁVEIS DA ESQUERDA

21/09/2010 - 21HORAS – TERÇA-FEIRA

IVAN PINHEIRO (PCB) – RUI PIMENTA (PCO) – ZÉ MARIA (PSTU)


Assista pela página do Jornal BRASIL DE FATO - www.brasildefato.com.br

Fonte:www.pcb.org.br

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

CHOQUE DE ORDEM - IMAGENS QUE A TV GLOBO NÃO MOSTROU




Na manhã do dia 8/10/2009 a Secretaria da Ordem Pública (SEOP), junto de cerca de 150 funcionários iniciou a retomada de área onde foi construído um prédio de seis andares no bairro Recreio dos bandeirantes. Próxima a praia, a região coleciona demolições. Há várias casas e prédios construídos de forma ilegal na região. Segundo a Prefeitura, o prédio de hoje, terá quer ser derrubado a marretadas até o terceiro andar, só depois poderão utilizar máquinas para agilizar a demolição. O prédio tinha por volta de seis famílias que tiveram - debaixo de muita chuva - retirar seus pertences enquanto funcionários já começavam a derrubar paredes na cobertura do edifício. Segundo os moradores não houve qualquer notificação prévia sobre a ação, afirmação essa, rebatida pela prefeitura que afirma que todos vem recebendo avisos desde sobre a ilegalidade da obra desde 2007.


Vale a pena se informar mais: http://www.idefacil.com.br/ouro55/?page=noticias.php&id=12853

terça-feira, 14 de setembro de 2010


VINTE ANOS SEM O CAVALEIRO DA ESPERANÇA

Anita L. Prestes

Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança, faleceu em 7 de março de 1990, aos 92 anos de idade. Desde muito jovem, Prestes revelou indignação com as injustiças sociais e a miséria de nosso povo, mostrando-se preocupado com a busca de soluções efetivas para a situação deplorável em que se encontrava a população brasileira, principalmente os trabalhadores do campo, com os quais tivera contato durante a Marcha da Coluna (1924-27), que ficaria conhecida como a Coluna Prestes. Muito antes de tornar-se comunista, Prestes já era um revolucionário. Sua adesão aos ideais comunistas e ao movimento comunista apenas veio comprovar e confirmar sua vocação revolucionária, seu compromisso definitivo com a luta pela emancipação econômica, social e política do povo brasileiro. Como revolucionário Prestes foi um patriota - um homem que dedicou toda sua vida à luta por um Brasil melhor, por um Brasil onde não mais existissem a fome, a miséria, o analfabetismo, as doenças, a terrível mortalidade infantil e as demais chagas que sabidamente continuam ainda hoje a infelicitar nosso país.
A descoberta da teoria marxista e a consequente adesão ao comunismo representaram, para Prestes, o encontro com uma perspectiva, que lhe pareceu factível, de realização dos anseios revolucionários por ele até então alimentados, principalmente durante a Marcha da Coluna. A luta à qual resolvera dedicar sua vida encontrava, dessa forma, um embasamento teórico e um instrumento para ser levada adiante - o Partido Comunista. O Cavaleiro da Esperança, uma vez convencido da justeza dos novos ideais que abraçara, tornava-se também um comunista convicto e disposto a enfrentar toda sorte de sacrifícios na luta pelos objetivos traçados.
No processo de aproximação ao PCB, Prestes rompeu de público com seus antigos companheiros - os jovens militares rebeldes conhecidos como os “tenentes” -, posicionando-se abertamente a favor do programa da “revolução agrária e antiimperialista” defendido pelos comunistas brasileiros. Seu Manifesto de Maio de 1930 consagra o início de uma nova fase na vida do Cavaleiro da Esperança. A partir daquele momento, Prestes deixava definitivamente para trás os antigos compromissos com o liberalismo dos “tenentes” e enveredava pela via da luta pelos ideais comunistas que passariam a nortear toda sua vida.
Pela primeira vez na história do Brasil, uma liderança de grande projeção nacional, a personalidade de maior destaque no movimento tenentista, - na qual apostavam suas cartas as elites oligárquicas oposicionistas, na expectativa de que o Cavaleiro da Esperança pusesse seu cabedal político a serviço dos seus objetivos, aceitando participar do poder para melhor servi-las -, recusa tal poder, rompendo com os políticos das classes dominantes para juntar-se aos explorados e oprimidos, para colocar-se do lado oposto da grande trincheira aberta pelo conflito entre as classes dominantes e as dominadas, entre exploradores e explorados. Prestes tomava o partido dos oprimidos, abandonando as hostes das elites comprometidas com os donos do poder, não vacilando jamais diante dos grandes sacrifícios que tal opção lhe acarretaria.
Tratava-se de um fato inédito, jamais visto no Brasil. Luiz Carlos Prestes, capitão do Exército, que se tornara general da Coluna Invicta, que fora reconhecido como liderança máxima das forças oposicionistas ao esquema de poder vigente no Brasil até 1930, talhado, portanto, para transformar-se no líder da “revolução” das elites oligárquicas, numa liderança política confiável dessas elites, usava seu prestígio para indicar ao povo brasileiro um outro caminho – o caminho da luta pela reforma agrária radical e pela emancipação nacional do domínio imperialista, o caminho da revolução social e da luta pelo socialismo.
Como foi sempre coerente consigo mesmo e com os ideais revolucionários a que dedicou sua vida, sem jamais se dobrar diante de interesses menores ou de caráter pessoal, Prestes despertou o ódio dos donos do poder, que se esforçariam por criar uma História Oficial deturpadora tanto de sua trajetória política quanto da história brasileira contemporânea.
Mesmo após seu falecimento, Prestes continua a incomodar os donos do poder, o que se verifica pelo fato de sua vida e suas atitudes não deixarem de serem atacadas e/ou deturpadas, com insistência aparentemente surpreendente, uma vez que se trata de uma liderança do passado, que não mais está disputando qualquer espaço político. Num país em que praticamente inexiste uma memória histórica, em que os donos do poder sempre tiveram força suficiente para impedir que essa memória histórica fosse cultivada, presenciamos um esforço sutil, mas constante, desenvolvido através de modernos e possantes meios de comunicação, de dificultar às novas gerações o conhecimento da vida e da luta de homens como Luiz Carlos Prestes, cujo passado pode servir de exemplo para os jovens de hoje.
Luiz Carlos Prestes dedicou 70 anos de sua vida à luta por um futuro de justiça social e liberdade para o povo brasileiro. O legado revolucionário de Luiz Carlos Prestes deve ser preservado e desenvolvido pelas novas gerações de brasileiros e de latino-americanos. Esta a razão por que hoje, no âmbito das comemorações do 90° aniversário da UFRJ, assinalamos a passagem de vinte anos do desaparecimento do Cavaleiro da Esperança homenageando sua memória.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

20 anos sem o Cavaleiro da Esperança




Como parte das comemorações pelos 90 anos da UFRJ, a Reitoria promoverá o evento “Seminário e Exposição PRESTES – 20 anos sem o Cavaleiro da Esperança”. Trata-se de uma série de atividades no Campus da Praia Vermelha e na Cidade Universitária – Ilha do Fundão.

Eis a programação:

Campus Praia Vermelha (Av. Pasteur, 250, Praia Vermelha, Urca, RJ)

Dia 13/09

14:30h Abertura
Conferência de Abertura “Luiz Carlos Prestes: 70 anos de história do Brasil” – Profa Anita Leocadia Prestes (integrantes da mesa: Decano do CFCH, Professor Marcelo Macedo Castro, e o Reitor da UFRJ, Professor Aloísio Teixeira).
Auditório Manoel Maurício/CFCH

16:00h Exposição, livro, curtas e entrevistas
Abertura da Exposição “20 anos sem o Cavaleiro da Esperança” e lançamento do livro da Profa. Anita Prestes
(A exposição no hall do FCC até 17/09): Exibição dos “banners” e projeção de curtas e entrevistas.
Hall do Fórum de Ciência e Cultura

18:00h Show Monarco da Portela
Teatro de Arena

Dia 14/09

10h Mesa de Debate
“20 anos sem o Cavaleiro da Esperança” – Integrantes: José Paulo Netto, Lincoln de Abreu Penna e José Jonas Duarte da Costa
Auditório Manoel Maurício/CFCH

15h Espetáculo teatral "Limites do Impossível"
Com Tuca e Luiz Fernando Lobo
Auditório Manoel Maurício/CFCH


Cidade Universitária
Ilha do Fundão

A exposição seguirá para o prédio da Reitoria da UFRJ no dia 20/09, permanecendo até dia 24/09

Dia 20/09

11h Mesa de Debate “O legado de Luiz Carlos Prestes para a política nacional”Integrantes: Aloísio Teixeira, Anita Prestes e Sérgio Soares Braga
Auditório G2 – Faculdade de Letras

13h Exposição, CD multimídia

Abertura da Exposição e lançamento do CD multimídia
Hall da Reitoria

14h Show Monarco da Portela
Hall da Reitoria

Dia 21/09

14h Espetáculo teatral “Limites do Impossível”Realização Companhia Ensaio Aberto
Sala João do Rio – Faculdade de Letras

Começa hoje einh gente! Vamos preservar a memória do nosso "velho", para servir ainda mais de inspiração aos jovens que estão por vir.


Fonte: http://prestesaressurgir.blogspot.com/2010/09/prestes-20-anos-sem-o-cavaleiro-da.html

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Muro da vergonha


Foto extraída do Flickr do Marcos Paulo

Uns precisam delas prá continuar com sua realidade, outros mais ainda para fugir da realidade. As linhas Vermelhas e Amarela (assim como a AV.Brasil) são vias importantíssimas, vitais, que cercam, em sua maioria, favelas. Mas agora, o que nos irá cercar será um muro, isso mesmo, a nossa prefeitura (com "p" minúsculo!) e o governo do Estado desenvolveram um projeto que prevê a construção de "barreiras acústicas" em torno das Linhas Vermelha e Amarela e só será instalado, segundo nosso dignissímo prefeito Eduardo Paes, nas áreas que são habitadas, as que não houverem habitação ficarão sem a proteção.(???)
A justificativa para o maquiamento é a nossa proteção auditiva, vão ter esse trabalho todo simplesmente para nos proteger da poluição sonora. Não sabia que nossa saúde auditiva preocupava tanto nosso prefeito!!! Estou honrada!!! Tanto que é prá nossa proteção que nós, moradores, não fomos consultados sobre o projeto e nem sabíamos de tal proposta. Acho que precisamos de coisas tão mais importantes...
Segundo um jornal que circula aqui na Maré (cujo nome ainda não foi definido), em uma entrevista com um grupo de fotográfos que trabalharam em cima desse tema e acabaram fazendo um documentário com o material coletado ( Muro, Vulgo Barreira Acústica), a falta de informação dos moradores em relação ao muro foi o que mais chamou atenção. Um dos fotográfos comentou: "O muro vai ser enfeitado com paisagens da cidade do Rio, principalmente por pontos turísticos da zona sul (...) as imagens vão enfeitar a via expressa. E dentro da favela? Essas barreiras servirão apenas para tampar a visão do turista (...)". Ainda completa que é contra, pois essa obra não beneficiará nenhum morador.
Será que não compreendem que estão nos calando? Nos excluindo mais ainda? Se as pessoas vêem essa realidade toda dia, passam por essa violência sempre e não fazem nada, imaginem se nos segregarem. E se, sem essa segregação fisíca já somos segregados moralmente, pensem no isso pode virar! Despertei prá esse fato lendo os comentários ofensivos dos leitores do jornal "o Globo" on line sobre a matéria que abordava esse assunto, comentários totalmente ofensivos, que me causaram ira perante a ignorância desses leitores, que não sei como são capazes de terem opiniões tão idiotas, sendo que lêem um dos tops (não digo o melhor) dos jornais cariocas. Ás vezes me parece que só eles têm o direito de sentir medo, o direito de reinvidicar, de elaborar e pôr planos em prática. Acho que vamos ser iguais a ratos de laboratório, não seria melhor pegar, não só as favelas da Maré, mas todas do Rio e por em cápsulas??? Por uma redoma em volta???
O problema está aqui e ninguém vê, soluções rápidas nem sempre são as certas, e quem tá de fora não sabe do que precisamos e passamos. Vamos ver como vão ser essas maquiagens até a Copa e que outras desculpas darão para as outras favelas.
A Av Brasil também margeia grandes favelas... e Aí??


Tudo isso é só prá nossa proteção...


Assistam o vídeo "Muro, Vulgo Barreira Acústica" no site http://favelaemfoco.wordpress.com/

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Mário Alves



Obra do acervo de João Sattamini com relatórios e cartas escritas pela esposa e filha relacionadas ao desaparecimento de Mário Alves.



Mário Alves

O assunto que abordei ontem coincidentemente vai ter uma extensão hoje. Visitei o Museu de Arte Contemporânea de Niterói e a obra que mais me identifiquei foi esta da foto acima,(que perdoem-me, não anotei o nome do artista) que falava sobre o desaparecimento de Mário Alves em tempos ditatoriais no Brasil. Uma das cartas mais interessantes foi uma escrita por sua filha no dia de finados, relatando que a única coisa que ela mais queria nesse dia era poder levar flores, muitas flores, pro túmulo do pai. Comparou também os direitos garantidos pela Sociedade Protetora dos Animais aos Direitos Humanos, declarando que aqueles devem garantir mais dignidade a um ser irracional do que este. Em cima disto tudo eu refleti sobre o artigo primeiro da Declaração Universal dos Direitos Humanos, será que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos? Hipocrisia pura, muitos outras famílias passam pelo que a família Alves passa e Mários existiram e existem até hoje. E os direitos humanos? Estão aí prá que? Acho que prá me "proteger"....
Pesquisei sobre a vida de Mário e este foi o site que mais gostei...
Taí o resumo e o link prá quem se interessar!

"Em 1968, junto com Jacob Gorender, Apolônio de Carvalho e outros, Mário Alves fundou o PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário), militando clandestinamente.
Em 16 de janeiro de 1970, entre 19:30 e 20:00 horas, saiu de casa para voltar dentro de pouco tempo. Foi preso pelo DOI/CODI-RJ, para onde foi levado. Na madrugada do mesmo dia, Mário Alves morreu sob torturas.
Mário foi visto sangrando, abundantemente, na sala de tortura, por vários presos políticos que se encontravam no DOI/CODI, dentre os quais, René Carvalho, Antônio Carlos de Carvalho e o advogado Raimundo Teixeira Mendes .
Os soldados que serviam no PIC (Pelotão de lnvestigações Criminais), onde está situado o DOI-CODI, foram retirados do local, para que o corpo de Mário pudesse ser removido sem testemunhas.Apesar das evidências, os órgãos de segurança negam a prisão de Mário.
Em 01 de dezembro de 1987 foi julgada a apelação civil n° 75.601 (RJ), registro 2678420, onde sua mulher e filha conseguiram da União a responsabilidade civil por sua prisão, morte e danos morais. Foi o 1° caso de desaparecido político em que a União reconheceu sua responsabilidade. Foram advogadas as Dras. Francisca Abigail Barreto Paranhos e Ana Maria Müller.
Dilma, companheira de Mário Alves, enviou uma carta à esposa do cônsul brasileiro, seqüestrado no Uruguai. Destacamos aqui alguns trechos:

“Todos conhecem seu sofrimento, sua angústia. A imprensa falada e escrita focaliza diariamente o seu drama. Mas do meu sofrimento, da minha angústia, ninguém fala. Choro sozinha. Não tenho os seus recursos para me fazer ouvir, para dizer também que “tenho o coração partido”, que quero meu marido de volta. O seu marido está vivo, bem tratado, vai voltar. O meu foi trucidado, morto sob tortura, pelo 1° Exército, foi executado sem processo, sem julgamento. Reclamo seu corpo. Nem a Comissão de Direitos da Pessoa Humana me atendeu. Não sei o que fizeram dele, onde o jogaram.
Sei que a sra. não tem condições de avaliar meu sofrimento, porque a dor de cada um é sempre maior que a dos outros. Mas espero que compreenda que as condições que levaram meu marido a ser torturado até a morte e o seu seqüestrado são as mesmas; que é importante saber que a violência-fome, violência-miséria, violência-opressão, violência-atraso, violência-terrorismo, violência-guerrilha; que é muito importante saber quem pratica a violência - os que criam a miséria ou os que lutam contra ela”.

http://www.torturanuncamais-rj.org.br/MDDetalhes.asp?CodMortosDesaparecidos=305

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Um monstro ressuscitado, se é que um dia ele morreu...



Em um regime democrático um cidadão é proibido de tirar fotos de monumentos históricos. Esse cidadão? Eu! O sentimento que tive no momento em que ouvi a frase "Você não pode tirar fotos aqui!" foi de raiva! Tive raiva, muita raiva!!! Se não se pode tirar fotos prá guardar, nem outra merda qualquer, prá que expõem??? Porque não guardam junto aos arquivos da repressão ou enfiam em algum outro lugar mais apropriado....
Não! Eu, historiadora e fotógrafa amadora me senti de mãos e pés atados, quem é esse aí me ditando ordens? E o porque do "não"? Ah, motivos de segurança. Como que a foto de uma representação de uma batalha qualquer (a raiva era tanta que nem tive vontade de saber as origens) pode afetar a segurança de outrem ou de qualquer outra coisa que seja?! Nesse momento o monstro da ditadura teve seu sono perturbado e me pegou... E tantas outras pessoas que ainda não conseguiram sua liberdade por esse monstro existir até hoje?? As famílias dos desaparecidos da ditadura, que por ainda não terem aberto os arquivos da repressão (por ainda haver tal repressão), não possuem pistas concretas para descobrirem o que aconteceu com seus parentes e por onde andam os corpos destas vítimas. O monstro da ditadura, sobre suas várias facetas, ainda vive, e quem será o herói a nos defender dele? O regime “democrático”!!!!?????

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O tempo não para?



Como sabem estou de férias, passei uma semana fora sem Tv, jornal, rádio, internet ou outro tipo de comunicação com o mundo á fora, desligada do mundo e com uma sintonia total com a natureza, sorte a minha! Azar foi ter de voltar prá uma realidade que é sempre a mesma. Infelizmente voltei ontem e senti que o tempo parou. Achei que estaria totalmente alienada, mas ao me confrontar com a Tv, vi a mesmas notícias da semana passada, mesmos problemas: chuvas, inundações, mortes, assassinatos, Haiti, etc, só desgraças. E algo de bom? Nada! Acho que a única notícia boa, que embora boa ainda era em cima da catástrofe que ocorreu no Haiti, foi a de duas crianças salvas após passarem dias sobre os escombros.
O que alimenta os noticiários são as tragédias e isso é fato, mas o que os mantêm somos nós que aceitamos tudo que nos impõem, que acreditamos nas verdades deles. Não falo só em noticiários, mas também em relação aos programas inutéis e de encheção de linguiça diários que nos empurram, não somos seletivos naquilo que assistimos, ou seletivos no que estamos fazendo. Somos livres prá decidir se vamos viver nossas vidas ou as dos outros, sentados em frente á uma Tv pelo resto de nossos dias. Não é minha intenção viver alienadamente sem saber o que ocorre no mundo, isso já seria hipocrisia demais, mas hipocrisia maior é fazer dinheiro em cima da desgraça alheia, remoer sempre o mesmo assunto. E enquanto não aparece outra tragédia maior, vamos engolindo á seco novidades antigas na Tv...

"Se eu me isolar os problemas não cessam.
Se eu os encarar talvez soluções apareçam."

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Tempo, tempo...

De férias e sem tempo de escrever algo que eu ache que valha á pena, se é que das outras coisas foi possível retirar algum proveito!Rs
Carpe diem!