Obra do acervo de João Sattamini com relatórios e cartas escritas pela esposa e filha relacionadas ao desaparecimento de Mário Alves.

Mário Alves
O assunto que abordei ontem coincidentemente vai ter uma extensão hoje. Visitei o Museu de Arte Contemporânea de Niterói e a obra que mais me identifiquei foi esta da foto acima,(que perdoem-me, não anotei o nome do artista) que falava sobre o desaparecimento de Mário Alves em tempos ditatoriais no Brasil. Uma das cartas mais interessantes foi uma escrita por sua filha no dia de finados, relatando que a única coisa que ela mais queria nesse dia era poder levar flores, muitas flores, pro túmulo do pai. Comparou também os direitos garantidos pela Sociedade Protetora dos Animais aos Direitos Humanos, declarando que aqueles devem garantir mais dignidade a um ser irracional do que este. Em cima disto tudo eu refleti sobre o artigo primeiro da Declaração Universal dos Direitos Humanos, será que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos? Hipocrisia pura, muitos outras famílias passam pelo que a família Alves passa e Mários existiram e existem até hoje. E os direitos humanos? Estão aí prá que? Acho que prá me "proteger"....
Pesquisei sobre a vida de Mário e este foi o site que mais gostei...
Taí o resumo e o link prá quem se interessar!
"Em 1968, junto com Jacob Gorender, Apolônio de Carvalho e outros, Mário Alves fundou o PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário), militando clandestinamente.
Em 16 de janeiro de 1970, entre 19:30 e 20:00 horas, saiu de casa para voltar dentro de pouco tempo. Foi preso pelo DOI/CODI-RJ, para onde foi levado. Na madrugada do mesmo dia, Mário Alves morreu sob torturas.
Mário foi visto sangrando, abundantemente, na sala de tortura, por vários presos políticos que se encontravam no DOI/CODI, dentre os quais, René Carvalho, Antônio Carlos de Carvalho e o advogado Raimundo Teixeira Mendes .
Os soldados que serviam no PIC (Pelotão de lnvestigações Criminais), onde está situado o DOI-CODI, foram retirados do local, para que o corpo de Mário pudesse ser removido sem testemunhas.Apesar das evidências, os órgãos de segurança negam a prisão de Mário.
Em 01 de dezembro de 1987 foi julgada a apelação civil n° 75.601 (RJ), registro 2678420, onde sua mulher e filha conseguiram da União a responsabilidade civil por sua prisão, morte e danos morais. Foi o 1° caso de desaparecido político em que a União reconheceu sua responsabilidade. Foram advogadas as Dras. Francisca Abigail Barreto Paranhos e Ana Maria Müller.
Dilma, companheira de Mário Alves, enviou uma carta à esposa do cônsul brasileiro, seqüestrado no Uruguai. Destacamos aqui alguns trechos:
“Todos conhecem seu sofrimento, sua angústia. A imprensa falada e escrita focaliza diariamente o seu drama. Mas do meu sofrimento, da minha angústia, ninguém fala. Choro sozinha. Não tenho os seus recursos para me fazer ouvir, para dizer também que “tenho o coração partido”, que quero meu marido de volta. O seu marido está vivo, bem tratado, vai voltar. O meu foi trucidado, morto sob tortura, pelo 1° Exército, foi executado sem processo, sem julgamento. Reclamo seu corpo. Nem a Comissão de Direitos da Pessoa Humana me atendeu. Não sei o que fizeram dele, onde o jogaram.
Sei que a sra. não tem condições de avaliar meu sofrimento, porque a dor de cada um é sempre maior que a dos outros. Mas espero que compreenda que as condições que levaram meu marido a ser torturado até a morte e o seu seqüestrado são as mesmas; que é importante saber que a violência-fome, violência-miséria, violência-opressão, violência-atraso, violência-terrorismo, violência-guerrilha; que é muito importante saber quem pratica a violência - os que criam a miséria ou os que lutam contra ela”.
http://www.torturanuncamais-rj.org.br/MDDetalhes.asp?CodMortosDesaparecidos=305